- Sonhos, sonhos acordados, pesadelos, sonambulismo...quantos livros. - Disse Anna ao ver Damien debruçado sobre tais livros na biblioteca da escola - Sabia que eu fiquei muito feliz quando soube que você viria para a minha escola?
Damien abriu um leve sorriso ao olhá-la e voltou aos estudos.
- Hey Dam... você é amigo dos meninos que vivem na sorveteria, não?
- Sim, sou. Adam e Andrew são grandes amigos... se eu não me engano, foi você que nos apresentou. Mas por que a pergunta?
- Bem, fui eu quem os apresentou, mas antes deles, você nunca teve nenhum... amigo ou... amiga?
Ele corou levemente e fechou seus livros, virando em direção à ela pegou suas mãos.
- Nunca tive tempo para amizades, meus estudos não permitiam. Mas agora - Ele se levantou, Anna levantando-se com ele - Vocês são meus amigos, e sempre serão.
Anna o abraçou.
Damien não viu, mas Emilly estava às suas costas enquanto Anna o prendia em seus braços, o que fez Emilly derramar mais uma de suas lágrimas solitárias.
Mais um fim de semana a noite, e lá estavam todos reunidos como de costume. Andrew, Ashley, Annabel, Adam, Damien e Anna estavam na mesma mesa reunidos, ate que Emilly entrou pela porta principal, o que fez Damien tomar uma atitude e ir falar com ela, quebrar de vez esse silêncio terrível.
- Com licença amigos, vou resolver uma coisinha...
Ela havia se sentado ao balcão, então Damien sentou ao seu lado.
- Olá Emilly! - Disse Damien ao dar-lhe um beijo em sua bochecha - Andas evitando-me senhorita?
Ela ficou assustado quando desviou o olhar brevemente à Anna.
- Eu? Achas que estou lhe evitando? Imagina... apenas ando muito ocupada, é isso...
- Humm... então não há desculpas se eu lhe pedir para dar uma volta comigo, não?
Ela sorriu e aceitou o desafio proposto por Anna, não se afastaria dele, e pagaria o preço que Anna a impusesse.
- Claro que não. Aceito seu convite.
- Okay, pegarei meu casaco ali na mesa e já vamos.
- Tudo bem.
Ao voltar à mesa, Adam e Andrew não deixaram de comentar a felicidade que plantara no rosto de Damien.
- Hey And, olhe só, parece que Damien garantiu uma gata nova hein.
Andrew concordou, dando gargalhadas.
- é... o xaveco funcionou, hahahaha
Damien não disse nada, apenas sorriu e pegou seu casaco, voltando à Emilly.
Eles foram até à beira de um lago e setaram-se pondo os pés na água.
- Soube que você está estudando em minha escola agora, e quanto ao seu curso?
- Bem... acho que a faculdade pode esperar.
- Mas você desistiu de começar a sua carreira mais cedo, por quê?
- Amm... fiquei por uma pessoa... - Ele desviou o olhar dos olhos dela e mirou na água, balançando seus pés timidamente.
Emilly pensou que a "tal pessoa" fosse Anna, então mudou o assunto.
- Você mora aqui há muito tempo?
- Desde pequeno, de onde você veio?
- De Monroeville.
- Ah... e veio parar aqui nessa cidade tão pequena...
- É... fugi do passado...
Damien estava dividido entre a curiosidade de saber de que passado ela havia fugido, e mudar novamente de assunto, mas decidiu compartilhar o que lhe vêm assombrando desde sua infância.
- Você pode guardar um segredo?
- Sim... adoro segredos - Seus olhos brilhavam, a lua refletia em seu olhar - Pode contar.
- Bem, desde que eu me lembro, toda quinta-feira a noite eu tenho pesadelos horríveis, mas nunca me lembro com o que eu sonhei, e quando tento recordar, sangue escorre de meus olhos. Jamais compartilhei isso com alguém que não fosse da família, por ser tão estranho mantenho em segredo.
- Nossa! E você já procurou um médico ou algo assim?
- Quando pequeno sim, mas não há como saber as causas, o último médico que me analisou, recomendou que eu não esforçasse-me para relembrar os pesadelos e não comentasse com ninguém, assim evitaria os sangramentos e não assustaria ninguém.
Emilly sentiu-se lisonjeada em ser digna de tamanha confiança para guardar o segredo de Damien, afinal, ninguém jamais confiara nela tão cedo.
- Emy, eu não sei o porquê, e não quero te assustar, mas desde que você chegou, certas noites meus pesadelos não foram tão intensos, então você se afastou... - Damien abaixou a cabeça e suspirou profundamente- ...tudo voltou a ser como antes, as vezes até pior.
Ela o abraçou pelo ombro e levantou sua cabeça com a mão que estava livre.
- Então eu nunca mais me afastarei de você, okay? - Ela o abraçou forte, escondendo seu rosto no peito de Damien, deixando-o corado. - Eu te prometo.
- Obrigado Emy, é realmente muito bom dividir isso com alguém, especialmente você. - Ele novamente se aproximou de Emilly e acariciou levemente seu rosto.
- Posso te pedir um favor também? - Emilly disse pondo suas mãos sobre a dele, ainda em seu rosto. - Damien balançou a cabeça, concordando - Me beija?
Ambos não hesitaram e renderam-se ao beijo inocente.
Damien não sabia se estava sonhando, jamais havia beijado alguém antes. Foi então que percebeu, estava apaixonado.
Após o beijo, um silêncio inconveniente surgiu, fazendo-os corarem. Então Damien decidiu perguntar sobre a vinda de Emilly para sua cidade.
- Me conta do que você estava fugindo?
- Bem, - ela deitou-se e apoiou sua cabeça nas pernas de Damien - Não sei direito por onde começar, mas desde que o amor iniciou-se para mim... na verdade, desde que eu descobri o que era amar alguém, fui abençoada por uma maldição.
- Maldição? - Ele perguntou, curioso e sem entender.
- Sim... - Ela suspirou profundamente - Desde que isso começou eu tenho evitado... amar alguém...
- Podemos falar de outra coisa se isso te deixa triste, okay? - Damien a olhou confortavelmente e sorriu gentilmente.
- Não, tudo bem, preciso dividir isso com alguém também.
- Então tá, me explica direito como funciona essa maldição.
- Bem, há alguns anos, em Monroeville, eu me apaixonei, tudo era perfeito, maravilhoso, mas algo aconteceu e interrompeu a felicidade que eu vivera. Sempre acontece... sempre. Todos que eu amo vão embora, morrem. - Ela sentou-se e virou o rosto, olhando para o chão ao recordar cenas terríveis de seu passado - Então decidi que eu deveria partir e recomeçar, jamais serei usada novamente.
Damien não fazia ideia de tudo o que acontecera à Emilly, mas estava a disposto a ajudá-la, independente do que acontecesse.
- Eu... posso ser o seu recomeço? - Disse ele corado ao olhá-la.
- Quando você quiser. - Ela sorriu docemente e aninhou-se nos braços de Damien. Olhando o reflexo das estrelas na água implorou aos céus para que a maldição não se repetisse dessa vez, não suportaria a angústia e o sofrimento já sentindo novamente.
Emilly não pôde contar exatamente o real motivo de sua mudança, mas acreditava que desta vez seria diferente, no fim não haveria lágrimas, não haveria sangue, dor ou sofrimento.
- Você pode guardar um segredo?
- Sim... adoro segredos - Seus olhos brilhavam, a lua refletia em seu olhar - Pode contar.
- Bem, desde que eu me lembro, toda quinta-feira a noite eu tenho pesadelos horríveis, mas nunca me lembro com o que eu sonhei, e quando tento recordar, sangue escorre de meus olhos. Jamais compartilhei isso com alguém que não fosse da família, por ser tão estranho mantenho em segredo.
- Nossa! E você já procurou um médico ou algo assim?
- Quando pequeno sim, mas não há como saber as causas, o último médico que me analisou, recomendou que eu não esforçasse-me para relembrar os pesadelos e não comentasse com ninguém, assim evitaria os sangramentos e não assustaria ninguém.
Emilly sentiu-se lisonjeada em ser digna de tamanha confiança para guardar o segredo de Damien, afinal, ninguém jamais confiara nela tão cedo.
- Emy, eu não sei o porquê, e não quero te assustar, mas desde que você chegou, certas noites meus pesadelos não foram tão intensos, então você se afastou... - Damien abaixou a cabeça e suspirou profundamente- ...tudo voltou a ser como antes, as vezes até pior.
Ela o abraçou pelo ombro e levantou sua cabeça com a mão que estava livre.
- Então eu nunca mais me afastarei de você, okay? - Ela o abraçou forte, escondendo seu rosto no peito de Damien, deixando-o corado. - Eu te prometo.
- Obrigado Emy, é realmente muito bom dividir isso com alguém, especialmente você. - Ele novamente se aproximou de Emilly e acariciou levemente seu rosto.
- Posso te pedir um favor também? - Emilly disse pondo suas mãos sobre a dele, ainda em seu rosto. - Damien balançou a cabeça, concordando - Me beija?
Ambos não hesitaram e renderam-se ao beijo inocente.
Damien não sabia se estava sonhando, jamais havia beijado alguém antes. Foi então que percebeu, estava apaixonado.
Após o beijo, um silêncio inconveniente surgiu, fazendo-os corarem. Então Damien decidiu perguntar sobre a vinda de Emilly para sua cidade.
- Me conta do que você estava fugindo?
- Bem, - ela deitou-se e apoiou sua cabeça nas pernas de Damien - Não sei direito por onde começar, mas desde que o amor iniciou-se para mim... na verdade, desde que eu descobri o que era amar alguém, fui abençoada por uma maldição.
- Maldição? - Ele perguntou, curioso e sem entender.
- Sim... - Ela suspirou profundamente - Desde que isso começou eu tenho evitado... amar alguém...
- Podemos falar de outra coisa se isso te deixa triste, okay? - Damien a olhou confortavelmente e sorriu gentilmente.
- Não, tudo bem, preciso dividir isso com alguém também.
- Então tá, me explica direito como funciona essa maldição.
- Bem, há alguns anos, em Monroeville, eu me apaixonei, tudo era perfeito, maravilhoso, mas algo aconteceu e interrompeu a felicidade que eu vivera. Sempre acontece... sempre. Todos que eu amo vão embora, morrem. - Ela sentou-se e virou o rosto, olhando para o chão ao recordar cenas terríveis de seu passado - Então decidi que eu deveria partir e recomeçar, jamais serei usada novamente.
Damien não fazia ideia de tudo o que acontecera à Emilly, mas estava a disposto a ajudá-la, independente do que acontecesse.
- Eu... posso ser o seu recomeço? - Disse ele corado ao olhá-la.
- Quando você quiser. - Ela sorriu docemente e aninhou-se nos braços de Damien. Olhando o reflexo das estrelas na água implorou aos céus para que a maldição não se repetisse dessa vez, não suportaria a angústia e o sofrimento já sentindo novamente.
Emilly não pôde contar exatamente o real motivo de sua mudança, mas acreditava que desta vez seria diferente, no fim não haveria lágrimas, não haveria sangue, dor ou sofrimento.