domingo, 12 de fevereiro de 2012

A place where you belong

 





"Can I die with you so we can never grow old ?"

  Mergulhado em sua própria miséria, pensou na insanidade que permitiu invadir sua mente e seu coração.
      - "... too late, too late, I never said goodbye..."
  Uma música particularmente triste tocava enquanto Damien dirigia até a clínica em que fora contratado. Ficou cantarolando a música durante o dia inteiro em sua mente, aparentemente, era tudo o que conseguia pensar além do espectro de sua amada.




       - Dr Damien, estão precisando de você na emergência, sei que já é o fim de seu expediente, mas o estado do garoto é grave! Venha comigo. - Disse uma das enfermeiras ao correr até a sala que Damien estava, preparando-se para ir embora.

  Ao chegar à emergência, um garoto estava na maca desacordado e com a blusa ensanguentada. Aparentava ter aproximadamente  uns 16 ou 17 anos, suas mãos estavam cortadas e esfoladas como se fosse lixadas até a pele sumir e seu rosto estava inchado e vermelho. Constatou, o garoto sofrera até a ajuda chegar.

       - Levem-no para a sala de exames, teremos que tirar uma radiografia das mãos e braços, e depois à sala de cirurgia, ele está com algumas costelas quebradas e o nariz também.

  Damien permitiu a si mesmo pôr-se no lugar do garoto. Na mesma idade, passou pela maior dor que pôde sentir, e para tentar diminui-la, socou a parede até sentir dor física, pois a que sentia era impossível de aguentar.



  Após todos os exames, o menino ficou em observação, então Damien foi visitá-lo.

       - Olá! Fico feliz em saber que o senhor está bem.
       - Como eu vim parar aqui? Quem é você?
       - Lhe encontraram desacordado em um beco, sem documentos, dinheiro, sem nada. Vim aqui para saber seu nome para darmos entrada em seu prontuário.
       - Me chamo Michael, Michael Richard.
       - Você teria algum telefone de contato para podermos contatar seus pais?
       - Não! Eles estão mortos! - O garoto começou a lacrimejar, sem desfazer sua feição de raiva e ira por tal fato. - O senhor poderia me liberar logo? Não suporto este lugar!
       - Eu sinto muito, mas ainda não posso lhe dar alta, em breve voltarei para saber como você está. Okay?
       - Tanto faz!

  O garoto virou-se e Damien saiu do quarto.

       - Ei Dr. Damien, encontrei o prontuário do garoto. Há duas semanas atrás, ele deu entrada aqui com os pais.
       - Estranho... ele disse que os pais dele morreram.
       - Sim, foi um grave acidente de carro, apenas o garoto sobreviveu.
       - Entendo...bem, avise-me se ele melhorar, agora irei para casa. Boa noite para a senhora.
       - Bom descanso Dr. Damien.

  Damien estava certo, o garoto sofrera, não pertencia a lugar algum.




       Se importar com a dor alheia é o que lhe faz humano, sabia sweetie?

  Desta vez Emilly vestia roupas comuns como costumava usar quando viva.

       - Perdoe-me, mas você lê minha mente, mi lady?
       - Não, mas ouço seu coração, e sinto que devo lhe contar algo. Algo deveras importante.

  Damien puxou uma cadeira e sentou-se em frente à Emilly.

       - Diga. - Ele segurou as mãos dela e sorriu docemente.
       - Sei que não questionou-me sobre isso ainda porque eu lhe pedi, mas seu coração implora por uma resposta. Você precisa saber sobre o menino da fotografia, Matt.
       - Emilly. - Damien a interrompeu. - Creio que há coisas que eu não deva saber, ou então partirá.
       - Ei, não tenha medo, ainda não lhe deixarei, mas preciso que você saiba tudo o que houve à anos atrás, me ajudará.
       - Tudo bem...
       - Bem, antes de me mudar para Botter, nasci e morei aqui até meus 15 anos. Tive amigos, mas o que mais confiei fora Matt. Ele era um destrambelhado e folgado, mas era muito divertido. Matt tinha uns pensamentos muito curiosos e medonhos sobre espíritos, e isso me atraiu à ele e ele à mim. Quando começamos a namorar pensei que seria para sempre e entreguei-me a ele, unicamente...
       - Podemos continuar amanhã? - Interrompeu Damien, desconfortável com o rumo da conversa.
       - Claro meu amor. - Emilly concordou que seria preciso mais calma para fazer Damien entender tudo o que estava acontecendo. - Estás exausto.


  Damien deitou-se e dormiu.
  Emilly desapareceu no ar, seu tempo estava acabando.






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