Seu mundo estava submerso por uma enorme e triste nuvem negra. Pesadelos constantes com Emilly morta em seus braços e sangue em sua mãos eram constantes. Torturava-se ao relembrar o último dia em que a viu respirar, que viu o lindo brilho de seu olhar, o último dia em que a viu viva.
Damien isolou-se de todos ao seu redor, não bebia nem comia nada, definhava-se com a imagem de Emilly em sua mente.
Preocupados com toda essa situação, seus pais o internaram em um hospital em outra cidade para que ele se recuperasse, afastando-o da dor das lembranças.
Conforme os anos se passaram, Damien tornou-se cirurgião como o esperado, sendo um exemplo na pequena cidade triste.
Seu olhar continuava melancólico, mesmo durante todos os anos que se passaram, até o que fora convidado a se especializar ao oeste do país em outra pacata cidade, Monroeville.
Sua viagem até lá fora calma, apesar de longa. Em sua mala havia algumas camisas, calças, seus jalecos e uma foto do trágico dia no lago com Emilly. Ao mesmo tempo em que a imagem o fazia rir, o fazia sentir um vazio enorme tal quanto a dor em seu peito que deveria ter recebido o tiro ao invés de Emilly.
A casa em que ficaria estava lotada de teias e poeira. Estava vazia há mais ou menos sete anos, desde que os antigos donos mudaram-se para longe. Diziam que a filha do casal fora internada em um hospício por ter matado seu amigo de infância e ter graves surtos. Pela vizinhança rondava um boato de que a casa era mal assombrada pelo espírito perdido do garoto. Isso o atraiu ainda mais, fazendo-o comprar a casa.
Após ter arrumado algumas coisas e desfeitos as malas, deitou-se no quarto que provavelmente fora da filha surtada que morara lá. Se ajeitou um pouco e viu um criado-mudo com a chave na gaveta. Rodou-a e abriu a pequena gaveta. Lá dentro havia uma fotografia empoeirada de um garoto abraçado com uma familiar garota, atrás da foto estava escrito algo meio apagado.
Impossível! Pensou Damien.
Emilly vivera nesse lugar, sua Emilly! Damien levantou-se e acendeu a luz. Olhou tudo ao seu redor, era o antigo quarto dela, com absolutamente tudo o que ela amava.
Uma lágrima rolou pelo rosto dele quando em uma leve brisa, o perfume de Emilly adentrou o quarto tornando-o doce e angelical. Suspirou. Lentamente, Damien virou-se e a viu sentada sobre a cômoda.
- Eu sabia que você viria sweetie.
Em um ato repentino, Damien a abraçou, sentindo-a com todo o seu coração. Chorou por não acreditar no incrível milagre que estava acontecendo ali.
- Emilly! Mas como...?
- Shiiiu. - Ela o calou cobrindo seus lábios com uma de suas mãos. - Não tente entender nada agora, okay? - Emilly segurou o rosto de Damien com suas mãos e fitou cada milímetro de seu rosto, matando a saudade que sentiu de cada minucioso detalhe em Damien. - Há tanto tempo que eu ansiava por este momento meu amor. Você está mais velho, maduro... diferente. Porém extremamente melancólico, triste. Acho que o senhor não cumpriu sua promessa, não?
- Perdoe-me, não pude ser feliz sem você. Parte de mim morreu quando você se foi. - Ele se perdeu em lágrimas novamente e a abraçou mais uma vez, forte. - Fique comigo? Por hoje...
- Claro que sim, voltei por você. - Emilly sorriu. O brilho de seu olhar voltara e por um instante, Damien a sentiu viva novamente. - Me parece que você é atraído por lugares medonhos, não é mesmo sweetie?
- Não sei o porquê, mas esse lugar me atraiu, assim como você no primeiro dia em que a vi.
Ela o beijou ternamente, mantendo-o o mais perto que pôde de si. Sua mãos acariciavam levemente os cabelos de Damien, enquanto as deles os envolviam em um apertado e aconchegante abraço.
Emilly acalmara seu espírito, Damien estava junto a si. Agora ela só precisava fazer com que ele acreditasse em seu coração. Apenas isso.
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