sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Forgiven



  Seu corpo tremia por inteiro, seus olhos já não suportavam mais lágrimas, uma forte dor o abateu, seu coração apertou-se. Sentiu em cada milímetro de seu corpo, por todos os poros, em cada respiração a falta de sua amada espectro, mas seguir em frente seria o certo a se fazer.
  Damien já havia superado a segunda partida de Emilly, estava tentando manter-se bem na medida do possível, mas não foi o que aconteceu.
  Ele não sabia exatamente o que Emilly fez no último dia em que a viu, havia ficado com medo do que aconteceria, chegou até a sentir raiva por ter enganado-se, mas acabou percebendo que o que ela fez o livrou de sua maldição, levando consigo seus pesadelos.

  Do outro lado, onde Emilly estava, seu espírito ainda não estava em paz. Não havia nada que a fizesse sofrer menos. Mesmo depois de morta, a saudade jamais a abandonou.

       - Ei senhorita. - Um sussurro veio à Emilly de um anjo-sacerdote. - Se já não estivesse aqui, diria que a saudade lhe mataria
       - Perdoe-me, mas eu gostaria de ficar sozinha, por favor.
       - Ah claro. - Ele se levantou. - Mas não precisa chorar um oceano, doce senhorita. Talvez suas preces sejam ouvidas. - Ele sussurrou as últimas palavras. - Tenha paciência, o tempo é dono de tudo.
  O sacerdote saiu voando graciosamente, transmitindo paz ao coração quebrado de Emy.
       - Eu espero que sim...

  Quando se tem uma missão à concluir desde o momento de seu nascimento porém é interrompido sem concluí-la, tem o direito de voltar à vida e terminar qualquer que seja a sua missão. Mas Emilly já havia concluído a dela, libertar o anjo dos sonhos perturbados, não teria motivo para voltar a vida, aparentemente.

  Um anjo que acompanhou toda a história de Emilly desde criança, passando pelo sofrimento de Matt, depois de Damien, até a atual situação, uma doce alma apaixonada e despedaçada, não mais chorava nem falavam apenas sofria, decidiu que a ajudaria o quanto pudesse.

       - Olá Emilly, minha pequena criança. - Disse o anjo ao sentar-se no chão junto à Emi. - Posso lhe propor algo?
  Ela apenas concordou, sem uma simples palavra, apenas acenou que sim.
       - Bem, há uma garota no sul da Alemanha, o amor de sua vida foi morto em um assalto e seus pais em um acidente de trem, onde ela também estava. - Emilly deixou uma lágrima escorrer, as palavras do anjo atingiram em cheio seu coração. - Por sorte -ou não- Ela sobreviveu Está há oito anos em coma.
       - Nossa. - Ela suspirou profundamente. - E por que o senhor está me contando isso anjo?
       - Lhe conto porque esta garota é fisicamente igual a você. Seus médicos estão para desligar os aparelhos que a mantêm viva, e isso não pode acontecer.
       - Mas sua alma não está sofrendo em um corpo quase morto? Por que ela não pode partir?
       - A alma dela perdeu-se quando ela resolveu não voltar ao seu corpo, a sua vida solitária.
       - E de que adianta um corpo sem espírito?
       - De nada! Por isso lhe conto isso, pequeno anjo, a garota é idêntica à você. Essa é sua última chance de viver com seu eterno anjo, Damien.

  No ato, Emilly o abraçou e pôs-se a chorar, agora de felicidade, agradecendo-o.

       - Muito obrigada senhor. Lhe serei eternamente grata!
       - Não preocupe-se, agora vá! Terás a eternidade toda para me agradecer. Viva!

  Emilly tomou novamente a vida, abriu seus olhos e respirou profundamente, sentindo seu pulmões enchendo-se de ar mais uma vez, pôs-se em frente à um espelho, nada havia mudado, estava viva outra vez.






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